Coronavírus: o Mal Não Anda Sozinho

por FLM
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Existem muitos ditados que expressam bem a situação atual como: “desgraça pouca é bobagem”, “o castigo veio a cavalo” e ainda “urubu quando está azarado o de baixo suja o de cima”.

Pois é, o coronavírus veio em um momento que a economia capitalista mundial e brasileira estão derretendo. De um modo geral, os governos procuram salvar os capitalistas. Mesmo que isto signifique matança generalizada da  população pobre e dos trabalhadores em especial.

No Brasil, a covid-19 pegou o país numa crise moral, econômica e política acelerada. A burguesia brasileira optou pela submissão às corporações internacionais, destruição da proteção dos trabalhadores e acabar com os investimentos sociais. Destruiu a indústria naval, a petroquímica e qualquer possibilidade de desenvolvimento nacional. A burguesia quer os trabalhadores livres para sugar até a última gota de seu suor. Para executar o serviço sujo, escolheu temer/Bolsonaro. Uma quadrilha burguesa facínora, crápulas e que tais, com ramificações no exército, judiciário, nas mídias e falsos pastores.

O golpe de 2016 veio para escancarar o saque aos recursos públicos. O que já faziam antes do golpe, de abocanhar polpudos recursos públicos para seus negócios. Com o golpe de 2016, eles esbandalharam tudo. Se apropriaram dos recursos da educação, de investimentos sociais e especialmente da saúde pública. Acabaram com o programa “Mais Médicos”, paralisaram a construção de hospitais e unidades básicas de saúde. Cortaram os investimentos em equipamentos e profissionais da saúde. Recentemente voltou a epidemia de febre amarela e de sarampo, não se encontra vacina. Cortaram o fornecimento de remédios para diabetes e pressão. Ou seja, o que já não estava bom, piorou.

As epidemias atacam sempre os mais fracos. Os organismos que estão debilitados.

Gente que mora em péssimas condições, os desempregados ou recebem salários abaixo do valor de seu trabalho. Pessoas que não se alimentam apropriadamente (passam fome). Dados apontam que 17 pessoas morrem de fome todo dia. Morrem em situação de penúria. Tem o corpo, mas com impacto de imensos danos. Em síntese, não tem garantido seus direitos fundamentais.

Por esses dias saiu uma pesquisa no jornal apontando que os ricos vivem em média 25 anos mais que os pobres. Isto se deve ao fato de que os burgueses se apropriam das melhores terras, melhores casas, comida farta, melhor tratamento de saúde, não expõem seus corpos ao sofrimento que os trabalhadores passam.

Analisando as estatísticas, encontramos milhares de mortes por doenças curáveis. Especialmente doenças que atacam os pobres como a dengue que matou mais de 700 pessoas, no último ano. Mortes por hepatite, malária, pela gripe H1N1 que mata duas mil pessoas por ano, cinco por dia. Desastrosamente pela tuberculose. São 4.500 pessoas mortas por ano. Em média, 12 pessoas por dia. E olha que tem antibiótico e vacina. São doenças que atacam os organismos humanos enfraquecidos pelas mazelas do capitalismo e seu liberalismo econômico.

O coronavírus está se alastrando a passos largos no Brasil, já fez dezenas de vítimas. A mídia predominante comanda o espetáculo. Difundem o pânico na sociedade, mas procura ocultar as causas da pandemia. Ao mesmo tempo não aponta caminhos para sairmos do buraco. O que falam: “Fiquem em casa”. Nas condições atuais, como vão viver os 150 milhões de brasileiros que vivem do seu trabalho? Os 14 milhões de desempregados, os 40 milhões de subempregados, os sem-tetos, os que recebem menos que o suficiente para viver? Medidas emergenciais e mudanças profundas nas políticas públicas e na economia precisam ser tomadas.

A burguesia e seu governo colocaram o povo num beco sem saída. Se não morrer contaminado pelo coronavírus e outras doenças, morrerá de fome ou carregam sequelas para o resto da vida.

É isso que a burguesia, seu governo, o Judiciário, a mídia predominante e todas as forças conservadoras tem para oferecer aos trabalhadores. Carece lembrar que a Itália, país mais atingido pela pandemia até o momento, o trumpismo/bolsonarismo chegou lá antes com a operação Mãos Limpas: aqui foi a Lava Jato. Em seguida, veio o Berluscone, o Pepe Grillo e agora o governo liberal de Manzini. Nos países onde a direita comanda e impera o liberalismo econômico, o arraso é total.

Frente a esta catástrofe não podemos nos aquietar, não esperar nada de bom dos golpistas, com ou sem Bolsonaro. Buscar maneiras de se comunicar e fortalecer nossas organizações próprias. Conduzir o povo para organizar sua autodefesa e defender suas vidas. Unir os desempregados, os trabalhadores da cidade e do campo, os sem-tetos e abandonados em geral. Partir para a luta direta procurar arranjar soluções para nossas vidas e articular nossa rede de solidariedade popular.

Formar comitês virtuais na rua, no bairro, na empresa. A paralisia é a morte para todos nós. A Frente repete: a burguesia está usando a pandemia para destruir nossas organizações, destruir nossos direitos, destruir nossas vidas. A burguesia quer reinar, superar o fracasso do capitalismo em cima de nossos cadáveres.

Cientes de nossos compromissos com nossas vidas, nossos irmãos e nossa família, podemos nos guiar pelas seguintes diretrizes. No rumo que o Papa Francisco apontou: “Colocar a economia a serviço do povo”.

  1. Medidas de caráter emergencial:
    1. Ampliação do bolsa família em atendimentos e valores concedidos, abrangendo autônomos e desempregados;
    1. Isenção do pagamento de água, luz e aluguel para baixa renda e desempregados;
    1. Requisitar os imóveis abandonados. Adequar e construir rapidamente para moradia de quem não tem casa. Ligados a esses projetos habitacionais desenvolver um plano arrojado de saneamento básico;
    1. Construir centros integrados de desenvolvimento social para acolhimento, tratamento de saúde, intensas atividades educacionais esporte, para a população em situação de rua No Brasil são 103 mil pessoas. Utilizar o quartel do Parque Dom Pedro e várias carcaças de hospitais e galpões abandonados nas cidades;
    1. Disponibilizar sanitários públicos com bebedouros e banhos nas principais praças da cidade.
    1. Investimento maciço no Sistema Único de Saúde (SUS):

1.6.1      Contratação de milhares de profissionais da saúde e volta do programa “Mais Médicos”;

  1. Produção (acionar Indústria) de equipamentos e insumos para saúde;

1.6.3     Produzir vacinas e remédios em geral. Investir em pesquisa e tecnologia;

1.6.4    Ampliar a rede hospitalar, as unidades básicas de saúde (UBS).

1.6.5     Estender em  todo território nacional o Programa Saúde da Família (PSF).

OBS: O governo ordenou que o Banco Central repasse 1,2 trilhões (um trilhão e duzentos bilhões de reais) para os banqueiros. Redirecionar esses recursos para a saúde. Trazer para aplicar na saúde os ganhos do petróleo e lucro das estatais.

Em período de crise do capital, os governos procuram salvar os capitalistas e suas propriedades.

  • Ampliar medidas de geração de empregos que criem bens sociais. A destruição dos empregos vai matar tanto quanto as epidemias, então:

2.1- Construir centrais de reciclagem em todas as cidades e regiões.

Transformar o lixo em renda e gerar empregos;

2.2- Investimento maciço na produção de alimentos no campo, combinado com um programa de restauração ambiental. Com recuperação dos rios (Tietê, Paraná, São Francisco, Xingu, Tocantins, e tantos outros) reflorestar e recuperar as fontes de água;

2.3- Extinguir o analfabetismo, ninguém fora da escola formal desde a infância. Ligar as universidades com o programa educacional. Incluir a educação ambiental e noções básicas de direitos para desenvolver valores humanos com o respeito e amor ao próximo. Adotar o princípio da teoria e prática. Que a escola não sirva para ascensão individual e depois pisar no próximo. Não esquecer: os valores do capitalismo não servem para os trabalhadores, não servem para a humanidade, não servem para o planeta.

3-Não se faz omelete sem quebrar os ovos. Precisamos compreender que não há possibilidade de construir uma sociedade justa deixando um pequeno grupo de pessoas obtendo lucros corruptos, salários também corruptos e todo tipo de privilégio. Gandhi apregoava: “Pão comido sem trabalho é pão roubado” assim:

3.1- Taxar as grandes fortunas:

3.2- Auditoria na dívida pública e tirar a teta da boca dos rentistas e banqueiros; 3.3- Extinguir os salários corruptos do executivo, legislativo, judiciário e das forças de segurança. Ninguém recebendo mais que cinco salários mínimos. Extinguir também as aposentadorias corruptos.

4) Tarefas das forças progressistas:

4.1- Vincular-se ao povo para consolidar e desenvolver suas organizações próprias;

4.2- Remover Bolsonaro, Mourão, todo o grupo golpista do governo, do judiciário, das forças de segurança, da mídia e desmascarar os falsos pastores; 4.3- Democratizar os meios de comunicação;

4.4- Anular as PECS, medidas adotadas após o golpe de 2016 que congelou o salário mínimo, destruiu a previdência, retira recursos da saúde, da educação, e assistência social. Mudar toda política econômica.

“Quando a necessidade é premente os bens são comuns.”

São Tomás de Aquino

QUEM NÃO LUTA TÁ MORTO!!!

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